Ele foi a festa decidido de que dessa vez encontraria a mulher da sua vida. Com os amigos, sentou numa mesa mais ao canto, mas com boa visão de todo o bar. Pediram umas cervejas e ele continuava a procura a tal. Fato era que, havia muitas moças bonitas no lugar, mas de qual dessas estaria ele falando?!
As cervejas foram acabando e chegou a vez dele pagar a rodada. Foi quando dirigiu-se à copa do bar e logo viu aquela morena escorada sob a bancada. Estava sozinha, bebia a mesma cerveja que ele e os outros rapazes, era magnificamente deslumbrante e usava meia arrastão. Sim, este último, talvez o toque determinante que fisgou o carinha...
Ao invés de pegar as quatro cervejas que lhe foram pedidas, pegou apenas uma e foi em direção a moça, com pretensões despretensiosas, assim pode-se dizer, pois achava certo que a moça estaria esperando um cara trajado de jaqueta de couro e com cara de mau. Mesmo assim, puxou papo e o papo agradou a moça. Seus companheiros de lá da mesa viram a cena e deixaram suas cervejas de lado, pois não podiam estragar a cena rara de vê-lo acompanhado, e muito bem acompanhado diga-se de passagem. Ah, detalhe importante - para o rapaz - ela estava desacompanhada, e na pista pra negócios.
O papo do cara agradou tanto, que o “algo a mais” acabou rolando, e ele não podia perder a deixa de levá-la pra cama. Com o convite feito e aceito, rumaram a casa singela do carinha e no caminho ele obrigou-se a contar que sua pobre mãezinha estaria por lá – sem problemas – foi a resposta dela. Nesse momento, pensou ele, que esta sim fosse aquela mulher da sua vida a quem procurava. Dirigindo, rezava para sua velha estar dormindo o mais profundo de seus sonos.
Pois chegado em casa, querendo por logo despi-la de suas vestes fora interrompido pela voz, naquele momento, infernal da velha mãe, que sim, estava acordada para tormento do rapaz: “mas quem é essa puta, vagabunda que trazes pra cá?! Veja essas meais furadas a marcas de dentes, de onde eu venho isso é coisa de puta de maloca. Tem mesmo cara de chupadeira!!! Trate de tirá-la daqui.” continuando aos gritos e fazendo menções violentas a garota, a velha mãe conseguiu espantá-la, que por sua vez, aos risos, prometeu não voltar e também pediu que apagasse seu telefone.
Ah, pobre carinha, depois de tanto tempo, consegue levar uma mulher pra casa, mas a velha mãe estraga seus planos, e olha que essa até seus companheiros chamavam de gostosa quando ainda no bar. Cabresto, o rapaz ao menos pestanejou e foi reto ao quarto esbravejar de raiva. Batendo punhos contra o armário, fez cair a caixa de “Coisas velhas que a mãe não usa mais” que se encontrava justamente em cima do mesmo armário. A caixa abriu-se ao chão e de dentro saiu, dentre outras velharias, uma meia arrastão rasgada a marca de dentes. Pra não dizer igual a da garota, a de dentro da caixa era vermelha. Nesse momento, a história do porque da troca de cidade e todo o mistério da sua infância estavam ficando lúcidos. A velha mãe teria agora algumas coisa a explicar pro filho, da puta talvez...