segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mudou de sabor...

É tão engraçado como as coisas mudam de sabor com o tempo. Digo engraçado de confuso, e de engraçado literalmente também, porque pensar nisso me fez rir muito. E pra ilustrar isso, vou usar como exemplo minha paixão. Até a pouco tempo atrás, eu só pensava nela, não via outras opções. Pra ser bem sincero, eu até via, mas as outras não tinham a mesma graça o mesmo sabor. Porém o tempo foi passando, e tudo foi perdendo o brilho. Experimentei umas diferentes que até foram boas, mas eu sempre voltava pra minha paixão que era o que eu realmente queria.

Todos me avisavam que aquilo me fazia mal, mas eu sabia que não me fazia, mas que um dia iria fazer, porém eu não me preocupava com o futuro, queria apenas aproveitar cada dia com ela. Chegou um período em que eu passei varias noites seguidas em sua companhia, foi ótimo, ainda hoje quando me lembro, fico tomado por um sentimento muito bom. Mas o tempo não pára, e eu não tinha mais como manter tanto contato assim. Não que eu me enjoasse, nunca cogitei a possibilidade, mas sabia que aquilo me faria mal ainda um dia por mais contraditório que pareça.

Teve um dia que foi a gota d’água eu sei. O dia em que o seu excesso me deixou desnorteado, e padeci ao chão. Depois voltei pra casa sozinho, pensando em tudo o que havia acontecido comigo, e decidi esperar os resultados virem até a mim. E depois daquele dia, coincidentemente, passei a sentir cada vez mais frio. Tudo na verdade estava começando a ficar mais frio, e eu sabia que não poderia mais contar com seu sabor em minha boca para me esquentar. Recorri á garrafa de vinho, que dentre tantas, foi a que mais me envolveu, mesmo assim, espero sentado para ver nascer outra que me fará tão sorridente quanto a que não vejo mais.

E foi assim que ela mudou de sabor perante meu paladar. Por minha vontade de sempre querer mais, que eu não sinto mais seu gosto. Por escolha minha também, que não sinto mais, porém eu sei que o inverno está próximo, e que é melhor pra mim abraçar a garrafa do bordo vinho. Pois sei que pra ela eu sou só mais um. Mas pra mim, ela foi uma paixão.

“Digo-lhe adeus amor, e agradeço-te pelas tardes, noites, todo e cada momento que tu me fizeste feliz, minha paixão de verão”.

E com o inverno chegando, minha amada Heineken não será mais tão bem aceita. Bom era durante as tardes e noites quentes. Agora o céu escurece antes e a serração toma conta, forçando-nos a puxar agasalho, e com isso, o sabor do vinho esquenta mais, do que o amargo sabor da holandesa, não que agora eu esteja a menosprezando, nunca o farei, porém meus olhos foram abertos, e até o próximo verão, apenas restarão as garrafas vazias em meu quarto, enquanto degusto sozinho, o suave vinho que acalenta quem a Heineken despreza.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A minha páscoa...

Saudade dos tempos em que eu esperava chegar o domingo da páscoa, esperava pra ver o ninho cheio de chocolates e doces, acreditando que era o coelhinho que havia posto tudo ali, mas o que mais me traz saudade mesmo eram as tardes na casa da bisa. Pra mim, melhor do que todos os chocolates de marca com brinquedos dentro, eram os packchies* com cartuchos de amendoim doce que só a bisa sabia fazer. Lembro que todos os meus primos iam pra lá, passávamos a tarde jogando bola e comendo amendoim. A segunda feira depois da páscoa era sagrada para a dor de barriga, SEMPRE passávamos mal a ponto de ser impossível ir a aula, mas isso era apenas barda, uma tática passada por gerações para estender o feriadão.

Mas o tempo não pára, nossa velha bisa acabou por falecer, meus primos – todos namorando – já não tinham tempo para os jogos de futebol, e por fim, nasce meu primeiro afiliado. Os ninhos na minha casa, nos domingos pela manhã, acabaram desaparecendo, e agora EU tinha outros ninhos para encher. Depois do primeiro afiliado, vieram os outros três, e eles já nasceram com a tradição dos packchies* extinta. A tradição que eles vão passar para os filhos deles, será a dos domingos abrindo os ovos para descobrir o brinquedo que o chocolate escondia. E lhe garanto, essa tradição é bem mais cara, dou total razão a minha bisa.

A cada ano que passa, a páscoa passa a ficar mais cara e a simbologia religiosa perde sua intensidade, mesmo para os cristãos. Quando criança, depois que eu abria meu packchie*, o culto era sagrado, porém essa tradição perdeu o seu valor para toda a minha família. Páscoa hoje em dia é apenas ovo de chocolate com brinquedo surpresa. Pergunte pra qualquer criança o significado da páscoa, e ela dirá que é a morte e ressurreição de Cristo, mas isso elas aprendem na escola, e não na sua igreja. E para mim, a páscoa já não passa de um feriadão, onde abre-se um grande rombo no meu orçamento mensal.

Mas assim como minha bisa está enterrada, a simplicidade de ser feliz também...

*Packchie: Não deve ser essa a grafia correta (quem souber me corrija nos comentários por favor), é a tradução de “pacotinho” no dialeto alemão falado pelos descendentes da nossa região. Significa algo como presente, porém é especifico para o natal e para a páscoa.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eu já tenho o que contar para os meu netos...

“O texto abaixo não é recomendado para pessoa menores de 12 anos. Se você é menor de 12 anos, leia primeiro o Ps e depois decida se quer realmente ler isto ou não. Boa leitura aos adolescentes e adultos.”

Estávamos entre quatro bebendo uma boa cerveja, comendo pizza e jogando videogame emulado pelo meu note, quando percebemos o quão velho NÓS QUATRO já estávamos. Chegamos a essa conclusão após percebermos a quantia de videogames que a nossa geração já havia ultrapassado. E todos nós tínhamos histórias engraçadas pra contar relacionadas a tal tecnologia da época.

Como temos a mesma idade, as histórias eram muito parecidas, todos começamos nossas experiências com o Dynavision (da Dynacon), jogando o clássico Super Mario Bros. , depois vieram as poucas experiências com o Mega Drive (da Sega), e depois outro clássico o Super Nintendo (da Nintendo). Lembro-me da decepção de voltar a jogar meu surrado Dynavision depois das experiências que tive com o Super Nintendo, era muita diferença de tecnologia.

Tempos depois me veio a notícia do Saturn (da Sega). Aquele videogame eu só acreditei que era real, depois que o vi pessoalmente, porque era algo utópico para mim um videogame cuja mídia dos jogos era um CompactDisc (CD). Esse videogame foi lançado por volta de 2000 quando eu tinha 8 anos, e na época, a minha mente assimilava apenas três tecnologias: o rádio, que usava o CD para executar músicas; a TV que usava fitas VHS para executar vídeo e o videogame que usava fitas “estranhas” para executar áudio e vídeo de forma interativa, e com a chegada do Saturn, veio também a notícia de que o vídeo game usava CD para executar áudio e vídeo interativos. MEU DEUS, eu fiquei louco pra ver isso. Pra mim, aquilo não podia ser real (pobre criança imbecil).

Depois do orgasmo jogando em um videogame de CD, veio o divisor de águas chamado de Playstation (da Sony). Com este videogame confesso que não fiquei muito surpreso, pois ele não inovaria tanto como seus antecessores haviam feito, porém ele passou por aperfeiçoamentos, e seus gráficos e jogabilidade tornaram-no ícone dentre os consoles.

Na mesma época em contra partida, a Nintendo lançou o Nintendo64, que ao contrario das tendências tecnológicas da época, não migrou para a mídia CD, porem inovou com a possibilidade de 4 jogadores poderem realizar partidas simultâneas. Os gráficos e jogabilidade do novo console da Nintendo eram semelhantes ao da Sony, o que dividiu bastante a opinião dos gamers da época, porem a supremacia da Sony prevaleceu a ponto de ser lançado o Playstation 2 alguns anos depois. Este novo console utilizava DVD como mídia (algo já aceitável para minha mente, agora um pouco mais desenvolvida). Os gráficos eram um avanço tecnológico supremo para a época, o que tornou o videogame o melhor presente de natal para os meninos da época.

Para as famílias menos favorecidas financeiramente, a Dynacom lançava o Polystation One e posteriormente o Polystation 2, que mesmo as tendências seguindo para mídias com mais possibilidades de recursos como o DVD, a Dynacon insistia nas suas velhas e ultrapassadas (a tempo já) fitas. Na realidade, o interior dos videogames da Dynacon sempre foi o mesmo do pré-histórico Dynavision, porém o seu único “diferencial”, era a sua aparência externa, que também era o único quesito que acompanhava as tendências contemporâneas, e acompanhava tanto, que a Dynacom fazia copias idênticas dos consoles de sucesso das gigantas dos games






























Mas voltando ao Playstation 2 “real”, lembro-me perfeitamente da minha primeira experiência também. Foi nas minhas férias de verão daquele ano. Meu cunhado me falou que conhecia uma locadora que havia comprado dois deles, e tinham duas TVs de 29’ (outra coisa sublime na época). Naquele dia passei a manhã inteira jogando meu Dynavision (me preparando para meu primeiro contato com, a já lenda, Playstation 2). Fizemos reservas de duas horas bem no começo da tarde, e antes da locadora abrir, nós já estávamos na porta esperando. A locadora tinha outros PlaysOne, mas a gurizada não queria mais jogar neles, eles queriam apenas admirar quem jogava no PS2. Lembro-me perfeitamente da cena: duas TVs 29’ lado a lado, um sofá colocado para quem jogasse, ou seja, eram quatro caras dividindo um sofá pra poder jogar o tal do PS2, e uma tropa de crianças gritando a cada passe e a cada gol do recém lançado WInning Eleven para Playstation 2. As duas horas que reservamos passaram como 15 minutos para nós, mas 15 minutos inesquecíveis. Depois voltamos pra casa (apenas falando na maravilha que presenciamos) e quando chegamos, meu sucateado Dynavision estava ligado, eu apenas o chutei para debaixo da estante (e talvez ele ainda esteja lá).

Depois daquilo vieram os computadores, e os videogames para mim pararam de fazer sentido, pois os mesmos games lançados para os consoles, eram facilmente baixados para os PC’s de onde era possível também acessar a internet e “fazer os trabalhos da escola” (foram essas as desculpas que usei para minha mãe bancar meu primeiro computador). Passaram-se os anos, comecei a trabalhar e acabei montando um computador que rodasse em boa qualidade os jogos atuais, (ainda não encontrei nenhum que desse problemas nele), mas nunca mais joguei, pois sabe, o mundo dos games já me fascinou, porém eu saí a rua, a vi pessoas mais fascinantes, lugares mais fascinantes e acabei por descobrir que o mundo real onde você chora e ri, é sim mais divertido do que um joystick na mão e uma televisão na cara.

Ps aos meninos menores de 12 anos: Quando vocês entrarem na puberdade,este texto começará a fazer sentido pra vocês também, mas por enquanto não considerem-se estranhos e nem considere este texto estranho, eu já passei pelo que vocês estão passando agora. CARPE DIEM.