É tão engraçado como as coisas mudam de sabor com o tempo. Digo engraçado de confuso, e de engraçado literalmente também, porque pensar nisso me fez rir muito. E pra ilustrar isso, vou usar como exemplo minha paixão. Até a pouco tempo atrás, eu só pensava nela, não via outras opções. Pra ser bem sincero, eu até via, mas as outras não tinham a mesma graça o mesmo sabor. Porém o tempo foi passando, e tudo foi perdendo o brilho. Experimentei umas diferentes que até foram boas, mas eu sempre voltava pra minha paixão que era o que eu realmente queria.
Todos me avisavam que aquilo me fazia mal, mas eu sabia que não me fazia, mas que um dia iria fazer, porém eu não me preocupava com o futuro, queria apenas aproveitar cada dia com ela. Chegou um período em que eu passei varias noites seguidas em sua companhia, foi ótimo, ainda hoje quando me lembro, fico tomado por um sentimento muito bom. Mas o tempo não pára, e eu não tinha mais como manter tanto contato assim. Não que eu me enjoasse, nunca cogitei a possibilidade, mas sabia que aquilo me faria mal ainda um dia por mais contraditório que pareça.
Teve um dia que foi a gota d’água eu sei. O dia em que o seu excesso me deixou desnorteado, e padeci ao chão. Depois voltei pra casa sozinho, pensando em tudo o que havia acontecido comigo, e decidi esperar os resultados virem até a mim. E depois daquele dia, coincidentemente, passei a sentir cada vez mais frio. Tudo na verdade estava começando a ficar mais frio, e eu sabia que não poderia mais contar com seu sabor em minha boca para me esquentar. Recorri á garrafa de vinho, que dentre tantas, foi a que mais me envolveu, mesmo assim, espero sentado para ver nascer outra que me fará tão sorridente quanto a que não vejo mais.
E foi assim que ela mudou de sabor perante meu paladar. Por minha vontade de sempre querer mais, que eu não sinto mais seu gosto. Por escolha minha também, que não sinto mais, porém eu sei que o inverno está próximo, e que é melhor pra mim abraçar a garrafa do bordo vinho. Pois sei que pra ela eu sou só mais um. Mas pra mim, ela foi uma paixão.
“Digo-lhe adeus amor, e agradeço-te pelas tardes, noites, todo e cada momento que tu me fizeste feliz, minha paixão de verão”.
E com o inverno chegando, minha amada Heineken não será mais tão bem aceita. Bom era durante as tardes e noites quentes. Agora o céu escurece antes e a serração toma conta, forçando-nos a puxar agasalho, e com isso, o sabor do vinho esquenta mais, do que o amargo sabor da holandesa, não que agora eu esteja a menosprezando, nunca o farei, porém meus olhos foram abertos, e até o próximo verão, apenas restarão as garrafas vazias em meu quarto, enquanto degusto sozinho, o suave vinho que acalenta quem a Heineken despreza.



