terça-feira, 29 de março de 2011

Um Real...

Por mais incrível que pareça, hoje eu encontrei tempo para me aconchegar na minha poltrona, e por o note no meu colo para voltar a escrever. A circunstância é meio chata (perdi o ônibus que me traz de volta da empresa), mas o fato de estar sentado aqui escrevendo é muito bom, confesso. E no instante ocioso em que olhei a noite cair por sobre o imponente Ferrabraz, me fitou na memória minha época de infância, a época em que eu comprava tudo com “um real”.

Lembro-me que por volta dos meus 4-5 anos, tudo o que girava em torno do dinheiro, pra mim, se baseava nos mesmos “um real”, e isso se cabe a todas as crianças que faziam parte do meu convívio. Ir ao mercado na hora do desenho, custava a minha mãe um real, assim como arrumar o quarto tinha o mesmo valor financeiro, e sem contar na tortura de secar a louça, que era aliviada quando um beija-flor pousava em minha mão.

Lembro-me bem, que as notas tinham um tom escuro, de verde tinha muito pouco, e o beija-flor estampado na nota, sempre me forçava a comprar as “pipoquinhas” Beija-Flor (que na verdade não era pipoca aquilo, mas era muito bom).

Eu sempre gastava os meus “um real” da mesma maneira, a mais indecisa: indo no mercado e perguntando o que era possível comprar com aquela nota. Coitados dos atendentes, hoje eu dou risada do que eu fazia eles passarem. Eu não tinha noção alguma de quantias e dinheiro, porém minha curiosidade infantil me fazia perguntar quantas balas eu podia comprar com um real, e quantos chicles, e quantos bombons, mas no fim, sempre comprava a mesma pipoquinha doce que combinava com o beija-flor da nota.

Até hoje não sei o porque, mas as notas saíram de circulação, no lugar delas ficou apenas as moedas. Nos meus tempos de piá já existiam as moedas, porém “elas tinham valor menor do que as notas”. Nenhuma criança gostava de ganhar duas moedas de cinqüenta centavos, ou até mesmo uma de um real, a graça estava na nota velha e amassada. Até a quantia de balas diminua a nossos olhos, quando compradas com a moeda no lugar da cédula.

Obviamente, agora eu sei que ambas tem o mesmo valor, porém o que mudou foi o valor das coisas que comprávamos com os mesmos “um real”. Vergonhoso seria chegar hoje em dia no mercado e pedir ao atendente o que é possível fazer com aquela moeda. A quantia de balas diminuiu, os chicles sumiram dos balcões e os bombons ficaram muito mais caros. Apenas a pipoquinha continua com o mesmo preço, no mesmo lugar, na parte mais baixa da gôndola, esperando alguém olhar para baixo e ao ver o beija-flor, lembrar-se que um dia foi possível comprar felicidade com cédulas velhas de beija-flor verde.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cá estou de novo...

Quão satisfatório é, quando todo o seu trabalho é reconhecido de uma forma ou de outra. Como é bom quando pessoas que você não conhece vêm lhe prestigiar e reconhecer aquilo que você admira fazer. Pois bem, me senti muito lisonjeado essa semana por receber, de várias pessoas (algumas até desconhecidas), cobranças por novos textos no blog. Pessoas vieram me falar coisas que deixaram realmente, muito feliz comigo mesmo. Recebi vários elogios, porém varias reclamações também, em relação à falta de textos novos, e é sobre isso que eu volto aqui para explicar a vocês minha situação.

Atualmente, estou passando por uma fase de mudanças na minha vida. Pessoas que eu gosto muito, e que são muito importantes para mim acabaram se afastando, algumas realmente não sei o motivo, porém outras são pelo fato do fim das aulas, outras pela minha troca de emprego e por fim outras por pura irracionalidade mesmo.

Recentemente acabei trocado de emprego, o que mudou minha rotina completamente. Antes eu trabalhava na biblioteca de segunda a sexta e em um supermercado aos sábados e domingos. Nessa época, eu procurava um emprego que fosse de carteira assinada e apenas de segunda a sexta. Pois esse emprego me caiu aos pés finalmente. Me lembro perfeitamente o dia em que me foi feita a proposta de emprego. Primeiramente fiquei muito feliz e surpreso, porém logo que comecei a trabalhar lá, veio a tempestade. Do mar de clamaria em que eu trabalhava anteriormente, afundei num poço onde o barro que há no fundo (formado por ganância e egocentrismo desvairado e inconseqüente), me aprisionava cada vez mais, e a minha ignorância e inocência perante ao desconhecido, apenas potencializavam isso.

A minha busca pelo correto e pelo imparcial, me deixaram louco. Aos prantos como poucos viram. E isso me ensinou que, não importa o que você deve fazer, o que importa é atingir o objetivo final. Atropelar pessoas e esquecer que elas tem sentimentos e vida, faz parte da filosofia capitalista que a Prof. Carmen tanto nos explica. Ver homens gritando com seus colegas, se desesperando ao telefone com pessoas que nunca viram pessoalmente, e principalmente faltando tanto com a verdade, me deixou muito assustado.

Deitei na cama e usei um pouco do egocentrismo que me deram na empresa. Ele me disse para fechar os ouvidos, lavar as mãos e baixar a cabeça.

Eu tenho uma vida cujo único preceito e razão, é a infinita busca pela felicidade. É apenas para isso que eu vivo, e faço tudo que for possível para alcançá-la. Mas me nego a rebaixar quem me rodeia para vender caixas de carne, e encher os bolsos de meus superiores. A vida que tenho aqui fora, é muito maior que aquilo, e desejo que minha cabeça continue focada apenas em encontrar tudo aquilo que me conforta, não apenas buscar mais dinheiro de forma irracional.

Para concluir, eu quero agradecer a todos os meus amigos que já ouviram essa histórias inúmeras vezes. Quando eu digo que minha vida se resume a procurar a felicidade, saibam que eu sempre a encontro do lado de vocês.