terça-feira, 19 de abril de 2011

A minha páscoa...

Saudade dos tempos em que eu esperava chegar o domingo da páscoa, esperava pra ver o ninho cheio de chocolates e doces, acreditando que era o coelhinho que havia posto tudo ali, mas o que mais me traz saudade mesmo eram as tardes na casa da bisa. Pra mim, melhor do que todos os chocolates de marca com brinquedos dentro, eram os packchies* com cartuchos de amendoim doce que só a bisa sabia fazer. Lembro que todos os meus primos iam pra lá, passávamos a tarde jogando bola e comendo amendoim. A segunda feira depois da páscoa era sagrada para a dor de barriga, SEMPRE passávamos mal a ponto de ser impossível ir a aula, mas isso era apenas barda, uma tática passada por gerações para estender o feriadão.

Mas o tempo não pára, nossa velha bisa acabou por falecer, meus primos – todos namorando – já não tinham tempo para os jogos de futebol, e por fim, nasce meu primeiro afiliado. Os ninhos na minha casa, nos domingos pela manhã, acabaram desaparecendo, e agora EU tinha outros ninhos para encher. Depois do primeiro afiliado, vieram os outros três, e eles já nasceram com a tradição dos packchies* extinta. A tradição que eles vão passar para os filhos deles, será a dos domingos abrindo os ovos para descobrir o brinquedo que o chocolate escondia. E lhe garanto, essa tradição é bem mais cara, dou total razão a minha bisa.

A cada ano que passa, a páscoa passa a ficar mais cara e a simbologia religiosa perde sua intensidade, mesmo para os cristãos. Quando criança, depois que eu abria meu packchie*, o culto era sagrado, porém essa tradição perdeu o seu valor para toda a minha família. Páscoa hoje em dia é apenas ovo de chocolate com brinquedo surpresa. Pergunte pra qualquer criança o significado da páscoa, e ela dirá que é a morte e ressurreição de Cristo, mas isso elas aprendem na escola, e não na sua igreja. E para mim, a páscoa já não passa de um feriadão, onde abre-se um grande rombo no meu orçamento mensal.

Mas assim como minha bisa está enterrada, a simplicidade de ser feliz também...

*Packchie: Não deve ser essa a grafia correta (quem souber me corrija nos comentários por favor), é a tradução de “pacotinho” no dialeto alemão falado pelos descendentes da nossa região. Significa algo como presente, porém é especifico para o natal e para a páscoa.

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